- O que aconteceu: O BA246 (A350-1000, G-XWBK), de São Paulo para Londres, desviou para Fortaleza após passageiro em surto agredir um comissário; pouso às 22h25 locais (16/12).
- Por que importa: Gestão de passageiro indisciplinado, decisão de desvio e coordenação com o solo são pilares de segurança de cabine e operação.
- O que muda na prática: Reforço de CRM, revisão de SOPs de contenção, comunicação com OCC/ATC e preparação para cenários de atendimento médico e eventual dumping de combustível.
Por Redação EPA
O British Airways BA246, operado por um Airbus A350-1000, desviou para Fortaleza após um passageiro em surto agredir um comissário a bordo.
O caso, já comentado nas notícias da aviação na noite desta terça-feira, ocorreu quando o voo, que saiu de São Paulo/GRU rumo a Londres/Heathrow, já sobrevoava o Atlântico após cerca de quatro horas.
Segundo relato da tripulação, obtido pelo AEROIN por meio do sistema de comunicação da aeronave com a companhia, a equipe optou por alternar para Fortaleza, capital mais próxima com infraestrutura adequada. O suporte em solo questionou a necessidade de atendimento médico na chegada e a possibilidade de dumping de combustível, medidas que foram avaliadas operacionalmente. A aeronave pousou às 22h25 locais de terça-feira, 16 de dezembro, e permaneceu em solo sem previsão de partida até a última atualização. Passageiros relataram o ocorrido a familiares via Wi-Fi antes do pouso.
O que isso muda na prática (piloto, mecânico e aluno)
- Pilotos (121/linha aérea): revisitar critérios de decisão de desvio (aeródromo adequado), coordenação com OCC e ATC, cálculo de peso/pouso e avaliação de eventual descarte de combustível dentro do envelope da aeronave.
- Comissários: reforçar SOPs de gerenciamento de passageiro indisciplinado, técnicas de contenção e comunicação com a cabine de comando, mantendo registro detalhado do evento.
- Mecânicos: após desvio e atuação de cabine, checar integridade/quantidade de equipamentos de segurança utilizados e registrar conforme o MEL/Manuais aplicáveis.
- Todos: padronizar relatórios internos e, quando aplicável, cumprir exigências regulatórias e políticas da empresa para notificação de ocorrência.
Análise Técnica EPA: segurança operacional e instrução
O evento se enquadra como gestão de passageiro indisciplinado (unruly), tema de segurança de cabine e segurança da aviação (security). A decisão de desvio segue o princípio de “aeródromo adequado mais próximo”, considerando assistência médica, controle da situação a bordo e limitações técnicas (peso de pouso e condições do aeródromo).
Em operações regulares, o RBAC 121 (regulamento da ANAC para transporte aéreo público) estabelece requisitos de procedimentos e treinamento de tripulação — incluindo CRM (gerenciamento de recursos da tripulação) e segurança de cabine. Embora a companhia seja estrangeira, as práticas convergem com padrões ICAO e manuais de operador (OM-A/OM-B).
Sobre combustível, o dumping é uma opção técnica apenas quando necessário para atender ao peso máximo de pouso (MLW) e dentro das áreas e altitudes previstas; não há indicação de que tenha sido realizado neste caso. A comunicação com o controle de tráfego e o centro de operações da empresa é crítica para coordenar atendimento em solo e minimizar riscos adicionais. Para quem acompanha notícias aviação, a lição recorrente é aderir estritamente aos SOPs e treinar cenários de cabine com foco em fatores humanos.
O que sabemos e o que ainda falta confirmar
- Confirmado: desvio do BA246 (A350-1000, G-XWBK) de São Paulo para Londres para Fortaleza após passageiro em surto e agressão a comissário.
- Confirmado: pouso em Fortaleza às 22h25 locais de terça-feira, 16 de dezembro; aeronave permaneceu em solo sem previsão imediata.
- Em apuração: necessidade de atendimento médico, eventual dumping de combustível, medidas de autoridades em solo e previsão de retomada do voo.
Mini-glossário (1 minuto)
- Desvio (diversion): alteração de rota para pousar em aeródromo alternativo por razões operacionais ou de segurança.
- Dumping de combustível: descarte controlado para reduzir peso de pouso quando acima do limite estrutural (MLW), conforme procedimentos do fabricante e regulador.
- RBAC 121: Regulamento brasileiro que estabelece requisitos para operações de transporte aéreo público regular (tripulação, treinamento, procedimentos, equipamentos).
Fontes consultadas
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